[ regressei ]
amaralina, meu bem, cheguei. dispersa e calada, o olho saltando de um canto a outro da sala e os pensamentos vagando sem porto. confusa. quando é imprescindível indiossincrasia me sinto diluída, sem forma. nesse momento sinto falta de você como se fosse eu, como se fosse de mim: alguém que me saiba e me garanta que não estou fingindo, que a fala é assim, que essas roupas, todas minhas, me vestem tal como quando estou sozinha ou consigo ou em casa. me concentro um pouco pra parar de pensar e apenas ser desse jeito, assim, com vários silêncios, sorriso fácil, cabelos dispersos feito os pensamentos, qualquer bobagem sempre e agora mesmo um bocado de sono e uma pontada no estômago. dá trabalho, sinto. mas é como eu gostaria que fosse sempre, a não ser quando eu mesma preferisse o personagem - não gosto nada quando ele me suplanta e morro de vergonha até mesmo quando a performance é um sucesso. documentário, amara. quero minha vida real, dores e delícias.
vale um pouco de sacrifício pra me resgatar.
[ L. ]
