[ dance you into day ]
'eu queria ser uma outra pessoa', começou a dizer. 'assim saberia se essas coisas só acontecem comigo ou é comum, afinal. não pode ser assim, pode? não pode ser só comigo. sentir-se na pele de outra pessoa deve ser bom - ainda mais se der pra voltar... sentir que outras escolhas podem ser feitas, que outras pessoas estão à sua volta, que outras coisas lhe passam pela cabeça, outras lhe são ditas. hoje sonhei com mb e ele me dizia coisas que eu não queria ouvir. mas se não queria ouvir por que insisti? e enquanto ele falava parecia que não era a primeira vez que ele mesmo me dizia aquilo. olhe... frustração é uma bosta. tenho dito.'
eu não sabia o que dizer, entende? por isso calei. fiquei ali olhando pra ela, vendo o olho (só dava pra ver um olho, do ângulo em que estava) se avermelhando, se enchendo, se derramando. e ela lá com a cabeça cheia de idéias, e ninguém pra sair da água. ok, referência besta, mas tá valendo. é uma metáfora. acho que é.
'eu não sei se devo dizer as coisas que penso, mas ao mesmo tempo acho que é quase uma sacanagem não dizer. por que? por que não? quem há de saber, então? eu sei, claro, nem tudo o que penso vale a pena ser dito, vale que outras pessoas saibam, e graças a deus, imaginou? a gente não precisaria pensar, seria uma faladeira sem fim, todo mundo ouvindo os pensamentos de todo mundo. eu sei, eu sei. mas a quase-sacanagem é que é tanta coisa boa, tanto pensamento bom envolvendo ele, por que não dizer? não diria tudo, oras, eu sei um pouco dos limites, aí sim seria uma sacanagem, eu penso muito nele, não vou sair dizendo tudo, tudo. mas... umas coisas tão bonitas que me passam pela cabeça... faço o que com isso? deixo que se percam?'
(...)
'definitivamente, eu queria ser outra pessoa. mas não por tempo suficiente a ponto de me acostumar e já começar a sofrer. sofrer na minha pele já é sofrer demais.'
é. eu tenho que concordar, deve ser bom estar em outro lugar, pensar outras coisas e se surpreender com as diferenças. não, não disse isso a ela. e o silêncio foi bom, ali naquela hora.
os livros na estante já não tem mais tanta importância. nada me resta a não ser a vontade. i totally wanna rock with you. nada é fácil nessa vida... nem mesmo encontrar as próprias palavras pra dizer.
[ L. ]
eu não sabia o que dizer, entende? por isso calei. fiquei ali olhando pra ela, vendo o olho (só dava pra ver um olho, do ângulo em que estava) se avermelhando, se enchendo, se derramando. e ela lá com a cabeça cheia de idéias, e ninguém pra sair da água. ok, referência besta, mas tá valendo. é uma metáfora. acho que é.
'eu não sei se devo dizer as coisas que penso, mas ao mesmo tempo acho que é quase uma sacanagem não dizer. por que? por que não? quem há de saber, então? eu sei, claro, nem tudo o que penso vale a pena ser dito, vale que outras pessoas saibam, e graças a deus, imaginou? a gente não precisaria pensar, seria uma faladeira sem fim, todo mundo ouvindo os pensamentos de todo mundo. eu sei, eu sei. mas a quase-sacanagem é que é tanta coisa boa, tanto pensamento bom envolvendo ele, por que não dizer? não diria tudo, oras, eu sei um pouco dos limites, aí sim seria uma sacanagem, eu penso muito nele, não vou sair dizendo tudo, tudo. mas... umas coisas tão bonitas que me passam pela cabeça... faço o que com isso? deixo que se percam?'
(...)
'definitivamente, eu queria ser outra pessoa. mas não por tempo suficiente a ponto de me acostumar e já começar a sofrer. sofrer na minha pele já é sofrer demais.'
é. eu tenho que concordar, deve ser bom estar em outro lugar, pensar outras coisas e se surpreender com as diferenças. não, não disse isso a ela. e o silêncio foi bom, ali naquela hora.
os livros na estante já não tem mais tanta importância. nada me resta a não ser a vontade. i totally wanna rock with you. nada é fácil nessa vida... nem mesmo encontrar as próprias palavras pra dizer.
[ L. ]

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